Continuação da História do Post Abaixo.
Leia lá primeiro, depois vem aqui em cima ;D
Enquanto Clever tentava entender se era ele que avançava em direção a Geladeira ou era a Geladeira que vinha em sua direção, Vinil já vinha segurando três garrafas.
“Quem acabou com o Outspire?” – Perguntou ele, ao notar o pacote plástico vazio jogado no chão.
Clever abriu a boca como se estivesse prestes a falar algo, mas logo notaram que ele estava só tentando entender como funcionava o processo de respirar e provavelmente nem tinha ouvido nada.
“Acho que fui eu, cara, mas sinceramente não lembro.” – Falou Tom, abrindo sua cerveja.
“Ahh.. Eu queria tomar mais. O negócio é doido, tive tantas idéias, mas não consigo lembrar de nenhuma.” – Disse Vinil, tristemente.
“Cara.. Não lembro de muita coisa, minha cabeça ainda tá meio embaralhada, mas.. Tu não postou alguma delas no teu blog?”
“Claro! Meu blog! Devo ter colocado algo lá!!” – Respondeu Vinil, já indo em direção ao computador. Assim que sentou na cadeira, olhou para o relógio no canto da tela e se surpreendeu:
“Tom! São 13:49!!”
Tom deixou a bebida cair no chão, e Clever teria achado aquilo um tremendo desperdício se não estivesse ocupado demais tentando lembrar se 13 era o mesmo que cinco ou quatro horas da tarde.
“Puta merda!” – Falou Tom – “A Mel, cara, a Mel!”
Ele então revirou em cima da mesa cheia de papeis, copos e maços de cigarro, a procura da chave.
“Calma, pode usar a minha moto” – Disse Vinil, entregando a sua chave, e logo em seguida tomando consciência do que havia feito e se arrependendo.
“Valeu, cara.” – Disse Tom, e em seguida saiu correndo pela porta do apartamento.
Ao ver seu blog, Vinil se surpreendeu novamente: Havia, realmente, algo postado ali, e ele nem se lembrava de ter feito aquilo. Era um texto mal feito, praticamente um rascunho, mas com várias idéias e teorias brilhantes descritas nele. Infelizmente, estava inacabado.
Quando olhou nos comentários ficou surpreso pelo terceira vez:
Dez pessoas haviam comentado sobre aquilo, o que é extremamente incomum em um blog como o de Vinil, que não publica pornografia nem nada ilegal, apenas fala sobre coisas rotineiras e às vezes posta drogado.
Todos os comentários elogiavam o texto, a maioria pedindo para vê-lo completo, e Vinil notou que um dos que haviam comentado era dolphinguin84, dono de um famoso site sobre o aquecimento global.
Vinil não era muito fã do negócio, até porque achava que o assunto estava sendo usado por certas pessoas e instituições para que ganhassem uma falsa imagem de que se importavam com o aquilo, quando na verdade só queriam lucrar e lucrar, como tom bom norte americano.
Ele já não agüentava mais ouvir pessoas falando do assunto, sempre a mesma coisa, mas sabia que era algo sério.
No comentário de dolphinguin84, ele dizia que gostaria muito de ver o texto completo e que, se fosse tão bom quanto o que havia sido mostrado, com certeza iria querer que Vinil, ou melhor, Vendetto17, postasse para o globalproblem.com.
E é claro que isso envolvia muita grana.
Tom chegou na frente da escola em três minutos, quase atropelando algumas pessoas, mas evitando sempre os olhares da policia.
Claramente não estava em condições de dirigir, mas algumas doses de Sober e alguns goles de café o ajudaram a não fazer nada muito estúpido.
Começou a procurar por Mel, mas foi repreendido por um dos professores.
“Thomas!” – Disse o Professor Wayle, aparecendo por trás dele. – “Você não veio à aula hoje, garoto. Então, me diga, porque está aqui, agora que ela já acabou?”
Tom poderia muito bem ter inventando uma série de mentiras e contado uma surpreendentemente plausível historia sobre o porque daquilo tudo, já que era muito bom nisso, mas seus pensamentos ainda estavam confusos devido a tudo o que havia feito na noite anterior e as cervejas que havia acabado de tomar.
Então, limitou-se a dizer:
“Não te interessa, cara.”
E saiu a procura de Mel, deixando o Professor Wayle realmente nervoso.
Qualquer um conhece Tom no colégio Yourhigh.
Ele, apesar de não participar de nenhum clube ou time do colégio, tem muitos fãs no local.
Não é qualquer um que tem o que ele tem, e alguns o invejam.
Claro, ele é alto, tem cabelos escuros e bonitos, apesar de nunca estarem penteados, e seus olhos verdes são verdes demais pro padrão do local, alem de ter uma pose de quem não dá a mínima pra nada e estar sempre calmo, mas não é por nada disso que ele é famoso.
Ele é famoso porque é praticamente parte do folclore local. Ele está no imaginário popular, na popsfera, como diria o inspirado Vinil.
Já o chamavam de maconheiro muito tempo antes dele ter posto até mesmo um cigarro em sua boca. Já diziam que ele não ligava pra nada antes mesmo dele saber o significado da palavra alienado. Já previam que ele não seria ninguém na vida antes mesmo que ele soubesse o que queria ser.
Diziam tanto que, a partir de certo momento, ele se cansou de ir contra tudo isso e decidiu ser o que diziam de uma vez, pra evitar problemas.
“De que adianta contrariar eles?” – Pensava Tom, enquanto acendia um baseado.
Na verdade, nunca gostou muito do apelido “Tom”, mas todos o chamavam assim, e acabou se acostumando.
Com o tempo, ele deixou de se importar.
Não se importava mais com as notas, e faltava sempre que possível Nada naquele lugar valia algo para ele, até que conheceu uma garota da sala ao lado chamada Mel..
Mel era o amor da vida dele, ou seja, com sorte duraria alguns meses.
Ela tinha cabelos pintados de azul, com olhos da mesma cor, naturais. Ou não. Tom nunca se importou em perguntar. Ele não falava muito, nem quando estava com ela.
Tom sempre fora perseguido pelos professores e pela diretoria do colégio, que, ao verem algum aluno conversando com Tom, já avisavam aos seus pais sobre os perigos do garoto que, caso você não saiba, foi pego outro dia fumando nos arredores do colégio.
Isso só o tornava mais e mais famoso. Todos falavam sobre ele, porem a maioria tinha medo de falar com ele, ou ser vista fazendo isso.
Mas Mel era diferente. Rebelde desde pequena, quando pichou sua primeira camisa com o símbolo da anarquia.
Claro que não entendia direito o que significava o movimento anarquista, mas a maioria dos membros dele também não, e mesmo assim eles vestiam mascaras sorridentes e saiam por ai explodindo prédios.
Então, ela se aproximou dele, movida pelo mesmo sentimento que alguém tem ao ver uma caixa em que está escrito “Não abra.”, juntamente com a sua incontestável necessidade de ir contestar as massas.
Começaram um relacionamento, mas agora, depois de dois meses, ela já havia se decepcionado ao perceber que ele não aparentava ser mais nada do que diziam que ele era.
Já estava esperando-o há 15 minutos, pensando sobre tudo isso.
Ele havia prometido ir com ela fazer algo depois da aula. E, como sempre, já havia dito que mesmo se não fosse na aula, iria encontra-la assim que ela terminasse, no portão C do colégio. Ela já estava decidida que, se ele não aparecesse nos próximos 5 minutos com uma desculpa terrivelmente boa, iria desistir dos garotos e virar lésbica. Ou, pelo menos, desistir desse garoto em particular.
Enquanto isso, no portão A, Tom se desviava da legião de olhares que eram lançados sobre ele, a procura de um rosto familiar para perguntar sobre Mel.
Infelizmente, não lembrava nem das pessoas da sua sala, e após algum tempo se sentou em um banco, frustrado.
Pensou sobre o que havia pensado na noite anterior, e teve uma pequena dor de cabeça ao tentar fazer isso. Lembrou do Outspire, e de como havia sido bizarro toma-lo pela primeira vez. Talvez fosse melhor tomar de novo, e gravar o ocorrido e começar a lembrar das coisas, pra variar.
Então se lembrou de que havia combinado encontrar Mel no portão C.
Nesse momento, já havia ficado bem claro para Tom(e para ela) o quão idiota ele era.
Saiu correndo, atravessando multidões de alunos e derrubando alguns no caminho, e muita gente se perguntou qual o motivo daquilo. Logo, algumas teorias surgiram, a maioria envolvendo drogas e coisas ilegais, mas existiram duas que, apesar de não terem ficado populares, tiveram seus méritos.
A primeira foi feita por Edward Pollato, um imigrante de algum lugar que ninguém dá a mínima, que ao ver o famoso Tom correndo na direção da saída mais próxima ao cinema, disse para quem estivesse a fim de ouvir:
“Aposto que ele foi ver o novo filme do Quentin Tarantino, estreiou hoje! Se não fosse a aula de robótica agora, eu iria também..”
A segunda não é bem uma teoria, mas teve o seu mérito:
“Por mim, ele pode ir pro inferno.” – Disse Mel, quando ele passou por ela, sem vê-la.
Tom estava andando, mas toda aquela correria já estava deixando ele muito tonto. Encostou-se a uma parede próxima de uma das cantinas e tomou um pouco de fôlego.
“Aonde fica o portão C mesmo?” – Pensou ele, com sua mente conturbada.
Depois de três tentativas de pedir informação com alguém(na maioria dos casos as pessoas se afastavam dele, apreensivas ou achando que era uma piada), ele encontrou uma funcionaria que informou aonde realmente ficava o portão B, não sem antes passar um rápido sermão sobre o quão lamentável era o estado de Tom.
Ele chegou lá, e ela não estava.
“Bom, fiz minha parte” – Pensou ele, tentando alcançar seu novo objetivo: Descobrir aonde tinha estacionado a moto.
No apartamento, Vinil escrevia no computador, lendo o que estava escrito de tempos em tempos para não se perder no meio do negócio. Depois de Nove paginas de texto no programa, leu tudo e chegou a conclusão de que aquilo era um lixo.
Claro, ainda poderia ganhar uma nota boa no colégio com um texto desses, mas não chegava nem aos pés do que ele havia feito em seu blog, quando estava sob o efeito do Outspire.
Deletou tudo aquilo e começou a pensar em como iria conseguir mais da droga.
“Ei, Clever.” – Disse ele, jogando uma bolinha de papel no homem que dormia no sofá.
“Hmmm?” – Foi o que ele pronunciou, como quem espera realizar uma conversa sem ter que acordar totalmente.
“Aonde você conseguiu o Outspire que nós tomamos ontem?”
“Outspire? Que Outspire??” – Perguntou ele, subitamente se levantando.
“Como assim? Nós estávamos tomando ontem, e logo em seguida você trouxe aquelas 200g..”
“Amiche, eu não sei nada de Outspire! Isso é coisa perigosa, meche com a tua mente!” – Respondeu Clever,
“Não vem com essa.. Tudo meche com a mente, você sabe.. Até uma porcaria dum chocolate meche com a tua mente.. Mas afinal, se não foi você que conseguiu o negócio, foi quem?”.
“O negócio é sério, amiche! Esse negócio te faz pipocar de idéias, mas meche no teu subconsciente inteiro! Tu não fica doido só da memória não, tua vida toda pode mudar com isso!” – Disse ele, seriamente preocupado.
“Ah, não vou ficar ouvindo essa palhaçada. Vou procurar o Tom, preciso de mais Outspire, ai vou conseguir uma boa grana, te pago meio quilo e você fica de boa.” – E em seguida saiu pela porta, deixando Clever sozinho no apartamento.
“Bom, pelo menos agora posso andar pelado pela casa” – Disse ele, e tirou as calças enquanto acendia um baseado.
Enquanto isso, Edward Pollato havia matado aula para ver o novo filme de Quentin Tarantino, que, afinal, não era assim tão bom.
Tom estava num bar próximo ao colégio, bebendo qualquer coisa de alto teor alcoólico e comendo algum lixo cheio de conservantes que era servido ali.
Antes, quando procurava por sua moto, foi surpreendido por dois seguranças do colégio, no pátio. Eles o pegaram, cada um por um braço, e falaram que ele tinha que sair dali.
“Ei! Eu sou estudante!” – Gritou ele, enquanto era arrastado.
“Não é mais.” – Disse o Professor Wayle. – “Uma coisa é faltar às aulas e tirar notas ruins, garoto. Mas se comportar desse jeito, desrespeitando os professores e criando confusão no pátio, ainda mais sob o efeito de drogas, é totalmente inadmissível.”
O Professor Wayle, na verdade, era um cara legal.
Todos os outros professores já julgavam Tom antes mesmo de conhece-lo, e eram contra a permanência dele no colégio, mas Wayle tentava ser mais compreensível com o jovem Thomas, e sempre o defendia nas reuniões.
Porem, de uns tempos pra cá, defender o garoto havia se tornado impossível. Wayle havia tentado aconselha-lo, mas ele parecia não dar ouvidos.
Hoje havia sido a gota d’agua.
Tom, mesmo sendo levado por dois enormes seguranças, se soltou por um breve momento, no qual acertou um forte soco no rosto de Wayle, que perdeu o equilíbrio e caiu.
Subitamente, se lembrou do local aonde havia deixado a moto, e resolveu que o melhor a se fazer era correr em direção a ela.
Apesar da perseguição, conseguiu alcança-la a tempo e começou a andar nela, mas assim que virou a esquina percebeu que não tinha lugar algum pra ir.
Resolveu entrar no Butteko’s, que ficava próximo ao colégio, mas sem chamar a atenção de ninguém dali.
Sentou-se, fez o pedido e sentiu uma grande necessidade de fumar qualquer coisa.
Porem, antes que pudesse satisfazer esse desejo, Vinil entrou no local, extremamente animado.
“Tom, ai está você!” – Dizia ele, se aproximando. – “Estou te procurando faz um tempão! Aonde está a Mel?”
“Não sei.” – Respondeu Tom, honestamente, mas sem parecer preocupado.
“Bom.. Melhor assim..” – continuou Vinil – “Preciso que você me consiga mais daquele Outspire.”
Tom ficou pensativo por alguns segundos, arrumando os fatos em sua mente e confirmando certas coisas antes de dize-las.
“Vinil, cara.. Foi o Clever que conseguiu aquilo pra gente.” – Disse ele, enquanto terminava de comer um salgadinho de sabor desconhecido.
Pensou por algum tempo no salgadinho, mais tarde, e decidiu que ele provavelmente deveria ser de frango. Ou granola, talvez. Algo entre os dois.
No apartamento, Clever estava deitado no sofá, ocupando sua mente das mais diversas maneiras. Primeiro, fumou um pouco de maconha. Depois, fumou mais um pouco.
Mais tarde, tentava se decidir se levanta ou não, e assim que fez sua escolha e começou a fechar os olhos, uma bela garota entrou no local.
“Mel.” – Disse ela, enquanto entrava no local sem olhar diretamente pra ele.
“Mel Pal” – Comentou Clever, rindo da sua própria genialidade com as palavras, e em seguida notando que estava nu, e dando mais algumas risadas com isso.
A garota o ignorou e foi em direção ao quarto de Tom, que estava obviamente destrancado, como a porta do apartamento. “Drogados.. Uns esquecem de fechar a porta, outros de usar roupa..” – pensava ela. – “..e alguns esquecem das namoradas, mas esses tem mais é que se foder.”
Deu uma boa olhada no quarto. Fazia algum tempo desde a ultima vez que havia entrado ali, e se lamentava por ter que entrar novamente.
Era um local sujo e desarrumado. As paredes eram pichada e rabiscada pelos mais diversos e aleatórios desenhos, tornando sua cor original um verdadeiro enigma.
No chão, que era cheio de baixos relevos, havia todo tipo de embalagem usada. Mel não se surpreendeu ao encontrar o pacote de camisinhas (especiais, que prolongam o prazer, compre já!) que havia comprado e usado com Tom ali.
Algumas seringas usadas, um Bongue, meias, pequenos pacotinhos plásticos vazios, várias latas de Duff, Smirnoff, Coca-Cola, NewColla, Polar Beer e alguma marca japonesa bizarra, junto de várias garrafinhas plásticas, algumas com pequenos furos redondos(Os quais Mel tinha uma certa idéia de para que serviam), papeis amassados, um antigo PSP e muito mais coisas que, se fossem listadas aqui, talvez perturbassem algumas mentes e prolongassem essa enorme lista ainda mais, então, para evitar isso, vamos deixar bem claro que ela não encontrou o que procurava.
Virou sua atenção ao grande armário verde, e assim que o abriu notou que ali só havia duas camisas mal passadas, algumas calças jogadas e uma pilha de cuecas mal lavadas.
Olhou no criado mudo, e também não encontrou.
Resolveu arriscar, e olhou embaixo de uma das cueca mal lavada.
Gostava de viver perigosamente.
De fato, ali estava: Ela e Tom, algum tempo atrás, no Festival do Fim do Mundo, ambos se beijando
Pegou aquilo e colocou na bolsa. Em seguida saiu do quarto, fazendo questão de pisar na maioria das coisas no chão.
Na sala, Clever ainda tentava decidir e dormia ou não.
“Posso pegar um pouco?” – Perguntou Mel, já de saída, se referindo as 200g restantes de maconha, em cima de uma mesinha.
“Eu é que não vou sair correndo pelado atrás de você se pegar” – Disse ele, e fechou os olhos.
Ela pegou um pequeno punhado e colocou na bolsa, e em seguida saiu.
Na frente do prédio finalmente encontrou Tom, que vinha com Vinil esclarecer algumas coisas com Clever.
Ele abriu um largo sorriso quando a viu, mas ela passou reto, ignorando-o.
Ela queria que ele viesse pedir atenção, mas Tom achou melhor deixar por assim mesmo, e entrou no prédio.
Lá em cima, Clever finalmente dormia.
Sonhava que havia acabado de acordar, e estava nu. Então, uma bela garota apareceu ali, e ele propôs que ambos fizessem sexo, já que ele estava pelado e aquilo tudo provavelmente era um sonho.
Ela concordou.
Enquanto isso, em outro lugar de sua mente, ficavam as suas lembranças. Claro que, com seu modo de vida completamente auto destrutivo, a maioria delas estava bem confusa.
Pelo menos, ele ainda lembra de que fora adotado aos quatro anos por seus atuais Pais, Michael e Ikari.
Não lembra nada da sua vida no orfanato, nem de ter de fato estado em um, mas durante toda a sua vida ficou extremamente obvio o fato de que era adotado.
Mas ele não considerava nada disso um problema. Acostumou-se bem a situação, e o fato de que sua família adotiva era rica o ajudou a superar qualquer trauma que pudesse eventualmente ocorrer com ele ao longo da sua vida.
Por isso, a infância foi normal.
Um certo dia, por volta dos seus 13 anos, notou que tinha cabelos loiros, e isso meio que mudou sua vida, por alguns minutos
Ai se lembrou que havia tomado uma droga qualquer na noite anterior.
E foi assim nos anos seguintes. Drogava-se, sempre querendo experimentar sensações novas e bizarras. Aos 17 já havia tomado a maioria das drogas sintéticas criadas pelo homem. E acredite, são várias.
Ele causava cada vez mais problemas, desrespeitando todas as regras que lhe eram impostas e abusando da paciência dos seus pais, como um bom exemplo de adolescente.
“Você não pode mais voltar tão tarde, Cleveren.” – Dizia Michael
“O caralho” – Respondia Clever.
“Vamos cortar o seu cartão de credito.” – Ameaçava Ikari
“Então eu começo a roubar vocês” – Retrucava Clever
“Então nós chamamos a policia, garoto!” – Respondia Michael, já irritado.
“Ai eu falo pra eles sobre aquela conta em Brasília e os negócios em Paris” – Dizia Clever, com um sorriso no rosto.
De fato, ele, influenciado por alguns “amigos”(os mesmos que o apresentaram as drogas), havia se informado bastante sobre maneiras de se garantir sozinho na vida.
Segundo eles, Clever não tinha realmente porque seguir o que seus pais lhe diziam, claramente já tinha idade suficiente pra se defender contra qualquer ameaça física(o que seus pais não faziam. Eram, na verdade, pessoas bem calmas.) e não precisava se submeter a castigo algum.
“É bem simples, na verdade.” – Explicava Jerik-O. – “Você não é controlado por nada alem de você mesmo!”.
“Muita gente reclama que os pais não deixam isso, aquilo, e blábláblá. E ainda dizem que não podem fazer nada pra mudar isso.
Pois eu digo que podem! Pense comigo: Eles podem te bater? Não mais. Se defenda, nem que pra isso tenha que usar armas. Eles podem parar de te dar dinheiro? Comece a roubar deles. Se ficar complicado, ameace roubar dos outros. Eles não vão querer que você suje o nome da família com coisas assim, e vão acabar cedendo.
Ok, ok. Você me diz que mora na casa deles, e tem que seguir as regras deles.”
“Pois não é nada disso, meu caro. É só um jogo, você tem que parar de pensar neles como seus pais e sim como pessoas que querem te impedir de fazer o que você quer fazer.”
“Arranje algo pra fazer chantagem. Se eles podem fazer com você, porque não fazer com eles?”
“Todo mundo tem segredos, e alguma coisa você pode usar contra eles. Meus pais, por exemplo. Meu velho traia a minha mãe, e eu consegui algumas fotos. Pronto, nunca mais tive problemas com ele.”
Jerik-O morreu durante uma briga com seus pais, quando seu tio, que havia usado algumas de suas drogas, lhe de um tiro na nuca.
Seus ensinamentos, porem, influenciaram gerações de delinqüentes.
Os pais de Clever, que já haviam se arrependido de te-lo adotado, fizeram um acordo: Ele ganharia uma boa quantia por mês, mas sairia daquela casa e jamais voltaria.
Clever aceitou, e foi viver com alguns amigos em um apartamento.
Hoje tem 19 anos, e continuaria achando isso tudo muito divertido, mas foi acordado por Tom e Vinil.
“Quero saber aonde você conseguiu o Outspire, e sem mentiras agora, cara.”
“Ok, ok, eu matei aquela vadiazinha, mas foi só porque ela tinha um pênis.” – Respondeu ele.
Algo que deve ficar bem explicado:
Clever é o que pode ser chamado de desocupado, mas se você preferir, pode chamá-lo de vagabundo.
Quando não está fazendo coisas ilegais fora de casa, está fazendo as mesmas coisas dentro.
Sua situação monetária é, de fato, tão cômoda que ele não precisaria nem levantar do sofá se não estivesse afim, e geralmente ele não estava.
A maioria do que comia era entregue na porta de casa, ou então trazida pelos outros moradores do apartamento. Também não via nenhum bom motivo para ir a faculdade, e por isso passava a maior parte do dia assistindo seus programas preferidos em seu TiVo.
Entre suas séries favoritas estava Mixhos, que era um dos grandes sucessos da época. Não era nada muito genial, mas seus mistérios intermináveis e suas incontáveis frases de efeito garantiam uma grande legião de fãs, e Clever estava entre eles.
Gostava de usar, sempre que possível, tais frases. “Não é possível, Senhor Ducand.” – Dizia um dos personagens da série, pouco antes de ser esmagado por um coelho rosa gigante, bem no meio de uma ilha deserta. “Me gusta pornografia enfantina, amiche” – Comentava Mendez, o personagem supostamente brasileiro da série, que orientava todos nas caminhadas pela floresta porque, já que vinha do Brasil, provavelmente conhecia tudo sobre isso.
É claro que “Ok, ok, eu matei aquela vadiazinha, mas foi só porque ela tinha um pênis” também fazia parte do vocabulário da série, pois tinha sido dita pelo Senhor Ducand, o herói da série, e Clever achou que seria algo apropriado para dizer naquele momento.
Mas aparentemente não era.
“Estamos falando sério, Clev.” – Explicava Vinil. – “Quando eu te perguntei aonde você havia pego, você me disse que não sabia nada sobre aquilo e que era perigoso. Mas Tom me disse você é que havia conseguido tudo , então que tal falar a verdade?”.
“Não se preocupe, amiche. Eu posso explicar tudo.” – Disse Clever.
E então tentou achar a explicação em sua mente. A principio, pensou sobre quando Mendez é acusado por D-Dog de roubar toda a comida do grupo, e mesmo tendo uma desculpa convincente, seu sotaque improvável arruinou tudo, e ele tomou alguns tiros no traseiro, já que D-Dog era negro e odiava estereótipos raciais. A série perdeu bastante audiência a partir daí, e Clever começou a perceber que nada disso iria ajuda-lo na situação em que estava.
Então, começou a tentar repassar os momentos do dia anterior em sua mente. Não conseguiu formular nada que fizesse muito sentido, e os olhares de Tom e Vinil também não ajudavam.
“É…” – Começou ele, e em seguida saiu correndo do apartamento.
… Continua.

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Thanks, always good posts on your blog!
história muito interessante!!
aprendi a matar a minha colega do lado!!